domingo, 10 de abril de 2011

"Verónica"

Encontraram uma garrafa vazia na tua janela
No dia em que a tua mãe perdeu os comprimidos para dormir...
Não aguentaste mais essa tua vida de novela
E decidiste ser a tua hora de partir...

Nunca ninguém pensou que serias capaz
Verónica, Verónica querida o que foi que tu fizeste?
Não podes deixar assim o mundo para trás
Por raio foi isso que escolheste?

Os danos são agora irreversíveis
Ainda te agarraste á vida na cama do Hospital...
Já era tarde demais para te livrares desse mal
Partiste deixando traços irreconhecíveis.

Estás agora dentro dum caixão congelada
Verónica, devias ter aguentado o sofrimento...
Descansa em paz, continuas a nós agarrada
Nem terás o nosso esquecimento.

Enquanto os Anjos dormiam, os Demónios estavam acordados
Tentamos ajudar mas fomos derrubados...

" O Amor Enlouqueceu! "


O amor enlouqueceu!
E eu não sei o que lhe aconteceu...
Porquê? Porque não ficou comigo?
O meu amor desapareceu!

Começou tudo num belo dia
Mas no seguinte já não me pertencia...
Eu pensei mesmo que ia ser sempre meu
Mas o amor enlouqueceu!

O que era tudo afinal?
Bastou sair para apanhar um pouco de ar
Que me abandonou por ponto final...
Como tão rápido o Sol deixou de brilhar.

Tudo aquilo que sou e vou ser
É algo que não me cabe saber.
O amor enlouqueceu
E ainda não sei se me pertenceu...

Eu percebo que como tudo, tinha que acabar
Mas podia ter ficado comigo, a respirar...
Eu disse que precisava de ti
Seguiste e a minha alma ficou a sangrar.

"Un fantasma tra noi"

Uma noite adormeci e depois acordei no meio do nada. Estava frio e escuro e Sentia-me nu, apenas abraçado pela escuridão.
Estava sozinho, a cair...
As lágrimas lavavam-me a cara e eu não queria parar de chorar. Estava a saber bem.
Para qualquer lado que olhasse via sempre o mesmo, Escuro, escuro e escuro.
Tive tanto medo, pedi ajuda, mas não havia ninguém lá.
Então gritei em pânico! Mas continuava a não haver ninguém para me socorrer.
No meio daquilo tudo eu só conhecia duas coisas, o medo e o frio.
Alguma vez se sentiram tão sozinhos ao ponto de o mundo parecer completamente desconhecido? Eu senti isso.
Aquele buraco não tinha fim... Assim como a dor que eu estava a sentir.
Em segundos vi toda a minha vida.
Rostos queridos iluminavam a escuridão por instantes. Mas só serviam para aumentar mais o meu tormento.
Continuava em queda livre até que cai na água. Pensei que estava a salvo mas não.
Estava paralisado e não me conseguia mexer, por isso afundei lentamente.
Sentia-me morto mas morri de olhos abertos, podia ver pessoas na superficie acenando, despedindo-se de mim.
Umas choravam, umas sorriam e outras sentiam pena.
Eu não queria ir mas algo me imobilizava e puxava. Foi a sensação mais demolidora que presenciei: a futilidade.
Ver pessoas queridas dizer adeus sem poder fazer nada, caindo no fundo do esquecimento!
O sofrimento era tanto que não tinha forças para nada, estava tão cansado. Só queria que aquilo acabasse de uma vez por todas!
Foi então que vi uma luz alcançando-me lentamente e ouvi uma voz suave dentro da minha cabeça que me disse:
-Chora tudo que tens a chorar, resiste e mantém-te paciente.
Não percebi o significado daquilo.
Finalmente o meu corpo parou no fundo, na areia daquele suposto oceano.
Sabem o que eu senti? Absolutamente nada.
Deitados a meu lado estavam aqueles que haviam passado na minha vida e seguido. Com os olhos fechados.
Eram tantos que já não me recordava de metade. Então vi o rosto da pessoa que o meu coração segue.
Tudo mudou nesse momento.
O meu coração voltou a bater, as minhas mãos tocaram-lhe e senti-me vivo de novo.
Abraçei-a mas algo me puxou para fora da água.
Á medida que era puxado aqueles rostos ficavam pequenos e longe!
Gritei mas desta vez não foi com o pânico mas sim de raiva!
Deus estava-se a vingar de mim, a brincar comigo... E faz isso porque sabe que eu não o posso alcançar...
Mas sabem que mais? Continuo vivo e estou aqui!

"Rapariga Linda"

Finalmente cheguei até perto de ti
Mas não sei o que senti quando te vi...
Finalmente as nuvens abriram-se perante a minha presença
Lembro-me desses teus olhos azuis como minha crença

Finalmente cheguei perto de ti...
Mas alguma vez leste o que eu escrevi?
Alguma vez ouviste o que eu te toquei?
Nunca quiseste saber do quanto eu me magooei.

Nunca quiseste saber do que eu te disse...
Cheguei tão longe só para sentir esse teu ódio?
Deverás saber que nunca procurei um lugar no pódio
Só queria que o meu coração te visse...

Viste-me quando apareci na tua vida?
Ou era só quando a tua vontade queria...
De qualquer das maneiras as lamentações não me guiam
E sei que as feridas que te deixei não saram

Adeus será pesado
Tal como "quero-te" é excusado
Não te preocupes com o meu fardo de lobo mau...
Cumprirei essa faceta com a força de um escravo!

Desapareceste mas eu continuo a ver-te...
Fugiste mas eu continuo a sentir-te...
Alguma vez sentiste aquilo que me disseste?
É que nem imaginas quão feliz me fizeste

Adeus Rapariga Linda...

"Almas Perdidas"


Vagueando por onde ninguém vai
Esperando por o Mundo que não cai.
Comunicando o que ninguém ouve
Vem da morte e do coração sai...

Pelas visões obscuras,
A realidade muda em certezas escondidas
E as noites tornam-se ainda mais escuras...
Mas ninguêm as vê, as almas perdidas.

Perdidas num Mundo que não conhecem
Confusas e abatidas...
Aparecem mas todos as temem
Pobres almas perdidas...

Partem na Sua chamada
E obedecem á força do "tem que ser".
Algumas vão em paz, outras encontram a porta trancada
E ficam neste mundo a apodrecer...

Pessoas sorrindo, almas perdidas
Pessoas chorando, portas batidas...
Apenas porque a humanidade tende a temer
Tudo aquilo que não consegue perceber.

"TODOS MORREMOS MAS POUCOS VIVEMOS!"


POIS É, O TEMPO PASSA E TODOS MORREMOS
SOMOS FRAGÉIS QUANDO NASCEMOS...
DEPOIS CRESCER É TUDO QUE QUEREMOS
ATÉ QUE ENVELHECEMOS...

AO LONGO DA VIDA VEMOS ENTES QUERIDOS SEREM ENTERRADOS
CHORAMOS, DESESPERAMOS E CRESCEMOS COM ESSAS VISÕES...
NO FIM DÁ-MOS POR NÓS ACAMADOS
ONDE SOMOS INFERIORES A TODOS OS CORAÇÕES.

A VIDA É ESTÚPIDA, ESTRANHA E MALÉFICA
TUDO O QUE NOS DÁ, TAMBÉM NOS TIRA...
MAS NUNCA DE UMA MANEIRA BENÉFICA
DÁ, TIRA, PÕE, RETIRA...

O AUGE É O OBJECTIVO
E FALHA VÁRIAS VEZES POR UM ADJECTIVO...
QUE FICOU DE NOS AJUDAR A PERCEBER
COMO ESCAPAR A MORRER.

MAS O ADJECTIVO NÃO FALHOU
NÃO PODEMOS ESCAPAR Á MORTE...
NUNCA NINGUÉM ESCAPOU
COM OU SEM SORTE...

POIS É, O TEMPO PASSA E TODOS MORREMOS
O MOMENTO E O MOTIVO É QUE NÃO SABEMOS.
NÃO SERÁ ISSO UMA TREMENDA INJUSTIÇA?

"Deus como Masturbação"

Deus é como a masturbação.
Só nos lembramos quando estamos desesperados e não há outra alternativa, quando não há mais ninguém que satisfaça o
nosso desejo de saciar o desespero.
Quando temos sexo, não há masturbação.
Quando temos felicidade, não há Deus.
Mas quando não temos sexo, a masturbação é a única opção.
Quando não temos felicidade, rezamos a Deus para que nos ajude.
Deus é como a masturbação.
Antes e durante o acto, faz sentido e apraz a nossa vontade.
E no fim? Na demorada ejaculação?
Perdemos a vontade de tudo, perguntamos porque raio fizemos aquilo.
É fantástico e ao mesmo tempo muito porco. O pudor é uma objecção.
Mas ficamos satisfeitos.
O mesmo se aplica a quando rezamos a Deus para que nos ajude.
Enquanto rezamos temos esperança de que resulte. Mas e se o problema realmente desaparece?
Nunca mais rezamos até que apareça outro problema.
Deus é como a masturbação.
Fazemos o que nos interessa, onde ninguém nos vê.
Depois de satisfeitos?
Seguimos em frente e só o voltamos a fazer quando nos interessa que seja feito.